
Capítulo 3 - A Floresta Sinistra
A luz do dia se apaga lentamente, dando lugar à penumbra que se derrama por entre as árvores como um véu de incerteza.
A trilha estreita mergulha floresta adentro, e Capitão Dumont, sempre cauteloso, ordena que um batedor avance à frente para sondar o terreno.
Não demora muito para que o pelotão perceba: estão andando em círculos. A Floresta Sinistra faz jus ao nome. Sua vegetação é cerrada, os caminhos se cruzam e se bifurcam como se a própria mata se reorganizasse para confundir invasores. Lendas antigas falam de viajantes que ousaram atravessá-la e jamais foram vistos novamente.
Mas Dumont não cede ao medo. A noite não o intimida. De olhos atentos e mente aguçada, ele evoca um espírito antigo — o mesmo que moldou homens e mulheres nos campos de treinamento. Com voz firme, entoa a cadência preferida da 17ª Esquadra:
— Eu calço as botas de Fuzileiro...
Num instante, como se o som reorganizasse os corações dispersos, os soldados respondem em uníssono:
— Eu calço as botas de Fuzileiro...
Dumont segue:
— A farda eu pego no tintureiro...
— A farda eu pego no tintureiro...
— Carrego todo o armamento...
— Carrego todo o armamento...
A canção marcha junto com eles, cortando o silêncio da mata. E é ela que os mantém firmes — orientando os passos, afastando a névoa da dúvida, guiando os bravos rumo ao desconhecido.
