
Capítulo IX - Os sentinelas
Quando os passos ficam mais próximos, a porta da cela se abre com um rangido e um homem entra. Sua figura é encapuzada, com um traje que mais parece um tipo de armadura metálica com brilho esverdeado. Seus olhos, por baixo do capuz, refletem um tom sobrenatural, como se atravessassem o tempo.
O estranho homem libera Dumont das algemas e diz:
— Capitão Dumont, venha comigo.
— Quem é você, pergunta Dumont.
— Eu sou um Sentinela do Tempo.
Dumont tenta se levantar, ainda com dificuldades.
— "Sentinela do Tempo"? O que é isso?
- Somos uma ordem criada para observar e proteger a linha do tempo. Nossa missão é garantir que ninguém manipule o fluxo temporal, e, em especial, impedir que pessoas como o Marquês de Tessália façam o que têm feito.
— E como você sabia que eu estava preso aqui?
— Estamos de olho em você desde que chegou aqui, atravessando a barreira temporal. O Marquês está agindo fora dos parâmetros que determinamos. E agora, precisamos da sua ajuda. Venha.
Dumont segue o Sentinela pelos corredores escuros da prisão, os passos deles ecoando nas paredes de concreto. Ao passar pelos corredores, ele vê os guardas desacordados, caídos no chão, como se estivessem em um sono profundo, e, por um instante, se pergunta como o Sentinela conseguiu fazer aquilo.
— Eles estão em segurança, diz o Sentinela sem olhar para trás, percebendo os pensamentos de Dumont.
— Agora, temos que sair daqui rápido, o Sentinela diz, mais urgente. — O Marquês está prestes a dar o golpe final. Se não o impedirmos, será tarde demais.
Ao chegarem no pátio da prisão, um alarme começa a soar. O som cortante da sirene faz o coração de Dumont disparar, e ele sente a pressão de cada segundo que se arrasta.
— Para o muro! Agora! O Sentinela grita, puxando Dumont para a direção certa.
Eles correm, esquivando-se de patrulhas e tomando atalhos, até chegarem à base do muro que circunda a prisão. O Sentinela, com uma calma imperturbável, tira um pequeno dispositivo do cinto e o pressiona. Uma luz pulsante emerge do aparelho e se espalha pelo ar ao redor deles.
Dumont olha para ele, surpreso.
— O que você fez?"
— Desmaterialização. É meio... complicado.
Num piscar de olhos, tudo ao redor de Dumont desparece. Ele sente o peso de seu corpo se dissipando como se fosse uma névoa que se desfez. E então, sem aviso, ele se materializa de volta, agora do lado de fora dos muros da prisão. O vento bate em seu rosto. A escuridão da noite envolve-os, mas a imensidão da liberdade é palpável.
— Agora você vai até a usina. Lá está a chave para detê-lo. O Marquês não pode continuar com seus planos, diz o Sentinela, com uma intensidade que não permite questionamento.
Dumont dá um passo à frente, mas o Sentinela segura seu ombro por um momento.
— Não se esqueça, Capitão. O futuro depende de você.
Dumont acena com a cabeça, entendendo o peso das palavras. Ele se vira, sentindo a determinação crescer dentro dele. O Marquês precisa ser parado. Não importa o que aconteça. Ele vai evitar que aquele plano diabólico seja consumado.
E, com o som distante da cidade atrás dele, Dumont começa sua caminhada para a usina — em direção à batalha final.