
Capítulo 4 - O Velho da Árvore
A pé, sob um sol impiedoso e com mantimentos escassos, Capitão Dumont começa a temer o pior. Sua tropa precisa de descanso — e o deserto não oferece abrigo, tampouco compaixão.
Mas então, como um milagre arrancado das lendas contadas ao pé da lareira, ele avista ao longe uma visão quase mítica: uma imensa sequóia centenária, oca por dentro, que teria sido esculpida e transformada em moradia por um eremita.
Até aquele momento, Dumont julgava a história apenas folclore.
A tropa acelera o passo. Soldados exaustos correm em direção à árvore e se jogam na grama fria. A temperatura ali beira o gélido, protegida pela magnitude da copa e das raízes entrelaçadas como colunas de um templo natural.
Dumont observa a construção, fascinado. As raízes cavadas formam escadas, corredores e aposentos rudimentares — tudo moldado à mão, em madeira viva.
Na porta da morada, um velho magro e de semblante severo se apoia em um cajado, espiando a movimentação com olhos semicerrados. Parece incomodado. Ou apenas cansado do mundo.
O Capitão se aproxima com respeito e pede licença, explicando brevemente sua missão, os perigos que enfrentaram e sua crescente preocupação com as possíveis baixas entre os homens.
O ancião o escuta em silêncio. E então, sem alterar o tom, profere apenas:
— Toda presa um dia faz sua última ceia.
Dumont permanece calado. A frase, enigmática, ressoa como um presságio. Ele agradece, sem saber exatamente o que está agradecendo, e ordena que se preparem para seguir viagem.
Mas antes que possam partir, o velho reaparece à porta.
— Capitão — chama, com voz mais branda. — Temos algo a conversar.
