
Capítulo 2 - No Vale da Engrenagem
Nas primeiras horas de voo, tudo transcorre conforme o planejado. A Nau Capitânea cruza os céus com majestade, impulsionada pela confiança da 17ª Esquadra e pela liderança firme de Dumont.
Mas à frente se estende o Vale da Engrenagem — uma garganta atmosférica temida por suas tempestades elétricas e tufões brutais.
Prevendo o pior, Dumont ordena o reforço nas amarras, ajusta o leme e manda inflar ao máximo o grande balonete que sustenta a nave pelos ares.
A tempestade os engole sem cerimônia. O céu escurece como se a noite caísse ao meio-dia. Rajadas de vento com força descomunal açoitam a nau, rasgando velas como trapos. Trovões ribombam em sequência, e a cada relâmpago o convés se ilumina com luz fantasmagórica.
Mesmo com a tripulação mantendo a disciplina, o Capitão sente o risco crescer.
E então, o inevitável acontece: um raio corta o céu como uma lâmina divina e atinge o mastro principal. O estalo é seco, brutal. A estrutura range, verga, e enfim cede.
A nave gira no ar, perde altitude e mergulha em queda livre.
E assim, a glória dos céus é substituída pela brutalidade da terra. A Nau Capitânea se choca com o deserto e se despedaça numa explosão de madeira, lona e poeira.
