top of page

A Partida

 

Acenda a fornalha, aumente o calor

Forjaremos nossa bravura

No carvão e no vapor

 

O fogo da nossa caldeira

Será a vitória ou a sepultura

Sangue, suor e poeira

Serão as tintas dessa aventura

 

     Vai! Voa alto até o céu

     Não há nada mais cruel

     Que não poder se levantar

     Vai! Voa até o infinito

     Esse é o sonho mais bonito

     Que se pode imaginar

 

Razão e coragem serão nossa herança

Chegaremos ao nosso destino

Nas asas da esperança

 

O fogo da nossa caldeira

Será a vitória ou a sepultura

Sangue, suor e poeira

Serão as tintas dessa aventura

 

     Vai! Voa alto até o céu...

No Vale da Engrenagem

 

Viajando além do bem e do mal

Guiados pela nossa fumaça

Escutamos do alto da gávea

O alerta de uma ameaça

 

     No Vale da Engrenagem

     Muito longe da grande cidade

     Em meio à ferrugem e nossa coragem

     Venceremos a tempestade

 

Os raios vem chegando

Destruindo o belo e o nobre

Vejo o medo se apoderando

Do nosso coração de cobre

 

     No Vale da Engrenagem...

 

Nem mesmo a armadura de aço

Resistiu à corrosão

Evitaremos o nosso fracasso

Seguindo pelo chão

     No Vale da Engrenagem...

A Floresta Sinistra

 

As lanternas de gás indicam o caminho

E mostram que já passamos aqui uma vez

Parece que estamos presos num labirinto

A Floresta Sinistra nos chama pra jogar xadrez

 

     Não, não vamos desistir

     Eu sei, sei que vamos conseguir

 

Quando a vida se converte em aventura

Não há tempo nem espaço pra covardia

Um soldado não sabe fugir do dever

É no peito que bate o motor da sua ousadia

 

     Não, não vamos desistir...

A sorte abraça os vencedores

O vento é o guia mais leal

Sopra forte, irmão guerreiro

E nos leve até o final

 

     Não, não vamos desistir...

O Velho da Árvore

 

A sombra interrompe o tormento

A brisa reduz o calor

Mas nem tudo é acolhimento

A mata exala rancor

 

Toda casa espelha o desgosto

E a amargura de seu morador

O ancião zangado reclama

E descreve um imenso terror

 

     Um capitão tem que ser valente

     E carregar sua própria cruz

     O menino receia o escuro

     Mas o homem não teme a luz

 

Invocando o poder do bastão entalhado

O velho anuncia a nossa sorte:

"Essa terra seduz os incautos

E os leva ao sorriso da morte"

 

     Um capitão tem que ser valente...

O consenso acompanha a grandeza

Mas a discórdia persegue a velhice

Quando solo rejeita o sossego

Semear a paz é tolice

 

     Um capitão tem que ser valente...

Os Ladrões do Tempo

 

Em um clarão de ferro em brasa

Aparece uma seita mortal

Com suas manoplas de Bronze

E seus relógios de metal

 

     Mais velhos que o próprio passado

     Mais sábios que todo futuro

     Os ladrões do tempo atacam pesado

     O presente não é um lugar seguro

 

Não adianta se esconder na história

Não dá certo fugir pro fundo do mar

A única saída foi essa vitória

Que custou mais do que posso pagar

 

     Mais velhos que o próprio passado...

 

Não dá pra voltar

Não dá pra esperar

 

     Mais velhos que o próprio passado...

O Elixir do Amanhã

 

A vida respeita uma grande batalha

O espólio elege o seu protetor

A arma secreta dos nossos rivais

Descansa nos braços do vencedor

 

     O Elixir do Amanhã não aceita covardes

     A miragem só busca quem tem coração

     O futuro se mostra aos olhos da alma 

     E acomoda o controle na palma da mão

 

A droga repousa sobre a bancada

E aguarda serena por um voluntário

Os bravos respondem ao apelo da Glória   

O medo fracassa como adversário

 

     O Elixir do Amanhã não aceita covardes...

Um raio de luz atravessa o céu

E forja no éter a bela gravura

Um grande comboio sacode nos trilhos

Abrindo caminho pra nossa bravura

 

     O Elixir do Amanhã não aceita covardes...

Cavaleiros de Aço

 

O deserto abriga nossa tocaia

Para um fora-da-lei a cobiça é sincera

O silêncio se funde ao som da chegada

A nossa missão é domar essa fera

 

     Nas costas de um colosso infernal

     A jornada fica mais singular

     Somos cavaleiros de aço

     A nobreza da alma nos leva a lutar

 

Encobertos pela névoa da noite

Abordamos a vulgar carruagem

A penumbra, nossa velha aliada,

Nos garante uma boa viagem

 

     Nas costas de um colosso infernal...

A fúria do trem se transforma em fumaça

E diz ao destino que estamos chegando

Finalmente a sorte entra nos trilhos

O dever conduz o herói ao comando

 

     Nas costas de um colosso infernal...

O Duelo Brutal

 

A estrada nos guia a um reino de pedra

Que sofre nas garras de um malfeitor

O pobre monarca se põe de joelhos

E implora a presença de um protetor

 

O acaso provoca e não pede licença

A mão do destino não joga a toalha

Cumprir o dever é a maior recompensa

O herói de verdade não escolhe batalha

 

     Pela honra do Rei e a glória do povo

     Em nome da história desse castelo

     Responderemos ao grande tirano

     O abuso termina com esse duelo

 

A alma registra a conduta nefasta

Nunca se viu tamanha opressão

Mulheres chorando as vidas perdidas

Crianças e homens vencidos no chão

 

O acaso provoca e não pede licensa

A mão do destino não joga a toalha

Cumprir o dever é a maior recompensa

O herói de verdade não escolhe batalha

 

     Pela honra do Rei e a glória do povo...

A justiça repousa num berço de sangue

E assiste faminta ao nosso combate

A ira selvagem dos golpes transforma

O solo da pátria num manto escarlate

 

     Pela honra do Rei e a glória do povo...

 

     Pela honra do Rei e a glória do povo

     Em nome da história desse castelo

     Destruiremos o grande tirano

     Aqui e agora com esse duelo

A Recompensa Real

 

A tropa desaba em cansaço

Mas faria tudo de novo

O legado de toda conquista

É cair nos braços do povo

 

Os sinos se dobram em festa

O mundo vira cantoria

A pólvora entra na farra

E explode em alegria

 

     Ô, ô, ô, viva a recompensa real

Armados até os dentes

Cobertos de ouro e prata

Vivemos o prazer da folia

Um pouco de excesso não mata

 

     Ô, ô, ô, viva a recompensa real

 

Um rei bondoso e honrado

É a graça de todo súdito

O seu coração de leão

É digno de todo mérito

 

     Ô, ô, ô, viva a recompensa real

Tudo ou Nada

Quando o inimigo anseia revanche

A covardia surge do alto

O que passou, passou

Esse é o segundo assalto

 

     Vamos pro tudo ou nada

     Agora é pra valer

     Não há o que supere

     A nossa vontade de poder

 

Contra um engenho que cruza os céus

Cuspindo fogo pelas ventas

Lutamos como marinheiros

No cabo das tormentas

 

     Vamos pro tudo ou nada...

Tempo esgotado: sua hora chegou

A mão da vingança voltou pra punir

Sua ciência não é o bastante

Para fazer um coelho rugir

 

     Vamos pro tudo ou nada...

bottom of page