
Capítulo 7 - Cavaleiros de Aço
Dumont estuda o terreno com precisão, seus olhos avaliando cada detalhe. Ele sabe que a abordagem ao trem não pode ser feita de forma apressada ou sem estratégia.
O lugar escolhido é uma ravina profunda e sinuosa, cujas paredes íngremes criam a oportunidade perfeita para a emboscada. A inclinação natural da terra forçará o trem a desacelerar, tornando-o vulnerável e, mais importante, imobilizando-o por tempo suficiente para a tropa agir.
A tensão no ar aumenta conforme o anoitecer se aproxima. O esquadrão, escondido entre as rochas e vegetação, observa o horizonte com expectativa.
À medida que o crepúsculo cai e as sombras tomam conta da paisagem, a silhueta de uma enorme máquina de ferro começa a surgir ao longe. É o trem anunciado na tal "miragem" pelo bravo tenente, seguindo seu curso com aparente tranquilidade, inconsciente do que está por vir.
Conforme se aproxima da ravina, a grande máquina faz-se mais nítida na penumbra, seus vagões imponentes sendo puxados por locomotivas a vapor.
O som dos trilhos e o chiado da fumaça preenchem o ar, mas isso não impede que Dumont e sua tropa se posicionem com precisão, preparados para a ação.
Com um gesto de Dumont, os soldados saltam de seus esconderijos, avançando rapidamente para o trem. O comboio, já comprometido pela inclinação da ravina, desacelera como previsto. Cada movimento tem de ser feito com cautela. Qualquer erro pode ser fatal.
A abordagem é rápida e os homens escalam os vagões de carga com agilidade, movendo-se nas sombras e se preparando para ocupar o trem sem fazer barulho.
Depois de uma inspeção cuidadosa, os soldados se acomodam nas sacas de trigo espalhadas num dos vagões, aproveitando a oportunidade para descansar. O vento gelado da noite corta o silêncio, como a antecipar que o descanso seria breve.
Logo antes do amanhecer, a calmaria é quebrada por gritos desesperados, cortando a quietude do vale.
— "Ajudem, ajudem!" – a voz frágil e angustiada ecoa pela relva, fazendo os soldados se levantarem instantaneamente, prontos para a ação.
Dumont se aproxima da porta do vagão com rapidez. Ao abrí-la, seus olhos encontram uma jovem desfeita em lágrimas. Ela parece perdida, como que arrastada por uma tempestade emocional.
— "Meu reino corre grande perigo!" – a moça suplica, sua voz tremendo de desespero.
Sem hesitar, Dumont desembarca do coche metálico e ordena que a esquadra o siga até o castelo que a moça indicou.
Mais uma batalha está para se iniciar.
