
Capítulo 6 - O Elixir do Amanhã
Enquanto observa a braçadeira, Dumont percebe algo peculiar. Dentro dela, há um pequeno papiro, cuidadosamente dobrado. Desdobrando-o, ele lê as palavras que se revelam de maneira enigmática. O aviso é claro e alarmante: "NÃO DEVE SER USADO PELOS FRACOS DE ESPÍRITO".
Com o olhar fixo nas palavras, Dumont examina mais detalhadamente. A seguir, o pequeno papel descreve o conteúdo do frasco de líquido verde: o "Elixir do Amanhã". O líquido, tão misterioso quanto o nome, provoca uma reação intensa e desconcertante — a chamada "Miragem".
A descrição fala de uma alucinação vívida, onde os afetados pelo fluido são transportados para o futuro. O delírio, no entanto, é breve, com duração de apenas alguns minutos, mas de grande impacto: ele revela os acontecimentos que se passarão dali a exatas 24 horas.
Dumont, com um semblante sério e uma sensação de urgência crescente, se vira para a tropa. A tensão no ar é palpável.
— "Precisamos de um voluntário!" - ordena o Capitão, sua voz firme, mas com um toque de hesitação.
Imediatamente, todos os soldados restantes da 17ª Esquadra se oferecem, sem hesitar, para participar da arriscada experiência. A lealdade e a coragem do esquadrão são inquestionáveis, mas Dumont, com um olhar perspicaz, já tem seu escolhido.
Com orgulho, mas também ciente da gravidade do momento, ele aponta para o Tenente Zunir, seu melhor amigo e braço direito.
Após um breve aceno de Zunir, Dumont aplica o líquido esmeralda diretamente em seu companheiro. O Tenente, inicialmente em choque, começa a cambalear, seu corpo vacilando. A tensão cresce, e os homens observam em silêncio absoluto.
De repente, Zunir parece se concentrar, seus olhos fixando o horizonte, imerso em um transe profundo. Ele começa a falar, sua voz distante, como se estivesse vendo algo que os outros não podiam.
— "Um trem enorme há de passar por essas terras. Seu rumo nos é favorável. A abordagem será facilitada pela penumbra..."
Antes que possa concluir sua visão, o Tenente desfalece, caindo inerte no chão. O pavor se espalha momentaneamente, mas, para alívio de todos, Zunir rapidamente se recupera. Ele ergue a cabeça e, com um sorriso de quem ainda está tentando entender o que aconteceu, diz:
— "Estou bem... "
Com um suspiro coletivo de alívio, Dumont levanta-se e, em um tom grave e cheio de respeito, brada:
— "Viva o Tenente Zunir!"
Os soldados, ainda impressionados, respondem em uníssono, com força renovada:
— "VIVA!"
A sensação de incerteza e mistério permanece, mas agora, mais do que nunca, o esquadrão está unido e pronto para enfrentar o que o futuro reserva.
