
Capítulo X - Lutar pra vencer
A noite pesa sobre a antiga usina térmica como um véu de chumbo. As janelas estilhaçadas refletem os relâmpagos ao longe, e uma leve garoa começa a cair, fazendo o chão metálico brilhar sob a luz mortiça dos refletores. Dumont escala silenciosamente por uma lateral abandonada, atravessando as sombras como um espectro determinado.
Ele entra pela porta lateral, já aberta. Lá dentro, o som metálico de passos ecoa. Guardas. Muitos. Mas agora Dumont tem um objetivo claro, uma força que arde dentro dele como o fogo das turbinas que um dia aqueceram aquela estrutura.
Sem hesitar, ele avança.
Dois guardas surgem no corredor. Dumont os derruba com golpes secos e rápidos, usando o próprio peso dos inimigos contra eles. Um terceiro tenta sacar a arma, mas o Capitão lança uma engrenagem solta como se fosse uma adaga. O impacto o desacorda na hora.
Mais adiante, a escada que leva à plataforma central da usina. Dumont sobe correndo, os degraus estremecendo sob seus pés. Ao chegar lá em cima, mais três soldados armados aguardam.
Os tiros rasgam o ar. Dumont se joga atrás de uma caldeira velha. O som do metal sendo perfurado ecoa como trovões dentro do espaço fechado. Ele observa, respira fundo, então salta por cima da proteção com a agilidade de um acrobata. Derruba o primeiro com uma voadora. O segundo recebe uma cotovelada no maxilar, e o terceiro, surpreso, mal tem tempo de mirar antes de ser desarmado com um golpe preciso.
Ofegante, Dumont avança pelo passadiço de ferro, até finalmente chegar à sala do subterrâneo da usina onde está a máquina do tempo. E ali está o Marquês.
No centro do salão, envolto por cabos e engrenagens, o Marquês posiciona o cristal em seu encaixe final na máquina do tempo. O perito, acorrentado ao painel de controle, observa tudo com olhos aterrorizados.
— Marquês! — brada Dumont, com a voz firme como aço.
O vilão se vira lentamente, seu semblante iluminado por luzes vermelhas pulsantes da máquina.
— Ah... ainda vivo. Você é mais persistente do que eu esperava.
— Acabou. — Dumont dá um passo à frente, firme. — Renda-se.
O Marquês gargalha. — Você acha que ainda pode me deter? Já estou a segundos de alcançar o futuro. De tomar tudo o que é meu por direito.
O Marquês aciona a alavanca principal e a máquina entra em funcionamento. Porém, após alguns instantes, um botão no painel acende, evidenciando um problema no funcionamento. Então outro botão se acende. Depois outro... e outro.
O Marquês olha furioso para o perito. "O que você fez?", ele brada.
O perito apenas esboça um sorriso. Dumont avança em direção ao Marquês. Percebendo que seu plano falhou, o vilão decide escapar. Ele diz:
— Tão nobre. Tão previsível. — Ele então agarra o perito pela gola e o livra das correntes.
— E tão tolo.
Num movimento rápido e covarde, o Marquês empurra o perito em direção a um buraco no chão.
— NÃO! — grita Dumont, correndo até a beirada.
O corpo do perito despenca em direção às engrenagens enferrujadas e um dos ferros da laje engata em suas roupas, impedindo sua queda. Dumont se aproxima e agarra o braço do homem, segurando-o com uma força desesperada e erguendo o perito de volta para o chão da usina.
Os dois desabam, ofegantes, enquanto ao fundo a máquina do tempo começa a entrar em colapso. O cristal solta faíscas, os dials giram descontrolados. Enquanto isso, o Marquês foge por uma escotilha nos fundos, escapando como uma sombra pela noite.
Dumont se levanta, ainda ofegante, e observa a sala vazia. A máquina começa a apitar , dando a impressão de estar prestes a explodir. Ele olha para o perito:
— O que você fez?
— Eu provoquei um "overload" na máquina. Não poderia nunca permitir que o Marquês fizesse o que pretende.
— Você acaba de salvar o futuro da humanidade. Vamos.
Os dois saem correndo e já fora da usina, presenciam uma explosão formidável. Labaredas de fogo sobem aos céus ao som de um estrondo. O mundo parece arder em chamas.