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Capítulo IV - O roubo do cristal

04 O Roubo do Cristal
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Durante uma conversa, Dumont revela sua verdadeira origem ao Marquês, que surpreendentemente, não estranha o fato de Dumont ser de outra época e ter chegado ali numa máquina do tempo.

— Sou obrigado a confessar-lhe que eu mesmo já me envolvi com esse assunto e realizei diversas tentativas de confeccionar um artefato temporal, embora não tenha tido sucesso em nenhuma delas. Mesmo assim, acredito que posso lhe ajudar a voltar ao seu tempo, se é isto que deseja.

— Sim, esse é o meu maior propósito.

— Muito bem. Há um protótipo de máquina do tempo escondido

em um usina abandonada, do outro lado da cidade. O mecanismo opera  retirando energia de um cristal de berílio. Então, o primeiro passo é conseguir um cristal.

— E onde encontramos essa fonte de energia?

— Por sorte, um cristal destes está em exposição no museu aeronáutico e a segurança do lugar deixa muito a desejar. Acredito que um jovem com a sua agilidade não teria dificuldades e surrupiá-lo.

Sem demora, os dois se dirigem ao local onde se dará o roubo.

A fachada do Museu Aeronáutico brilha com luzes artificiais trêmulas, refletidas nas poças de óleo das ruas.

Dumont observa de um telhado próximo, os binóculos apoiados sobre uma das mãos enluvadas. Uma claraboia está entreaberta. Perfeito.

 

O Capitão esgueira-se por ela, pendendo no vazio por um fio tenso, descendo até uma viga de sustentação que cruza o grande salão central. Abaixo, entre protótipos de dirigíveis, motores a jato primitivos e vitrines reluzentes, repousa o prêmio: o cristal de berílio.

A peça está exposta sobre uma almofada de veludo preto, dentro de uma redoma de vidro simples, protegida apenas por um sensor luminoso giratório — ultrapassado para os padrões daquela época, mas ainda funcional.

Dumont avança pelas vigas como um felino, até estar diretamente acima do cristal. Ele desce com a destreza de um acrobata, pés firmes no chão. Em silêncio, retira a redoma e pega o cristal — uma gema verde-azulada que pulsa com um brilho intenso e quase hipnótico.

Um alarme dispara. Imediatamente, um guarda noturno, em uniforme de couro e capacete de metal, surge entre os expositores, empunhando uma pistola. Com velocidade de veterano, Dumont arremessa uma pequena cápsula de fumaça contra o chão — um de seus truques preferidos.

 

O salão é tomado por uma névoa espessa e cintilante. Em meio à confusão, Dumont se move como sombra, se colocando atrás do guarda com passos silenciosos e precisos. Então, ele passa um dos braços ao redor do pescoço do pobre homem, encaixando o bíceps de um lado e o antebraço do outro, formando uma espécie de "V", estrangulando-o e fazendo-o desmaiar.

Antes que a fumaça se dissipe, Dumont consegue subir de volta pela corda. Em segundos, ele atravessa novamente a claraboia e corre pelos telhados de volta ao ponto de encontro. No bolso interno do casaco, o cristal de berílio vibra como se soubesse de sua importância.


 

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