
Capítulo III - Mais forte que a lei
O calor ainda brilha no horizonte quando os primeiros contornos da cidade surgem diante de Dumont. Torres metálicas, passarelas suspensas e trilhos elevados dão ao lugar ares de colmeia mecânica.
As botas pesadas de Dumont tocam a rua principal como se fosse
a terra prometida. O casaco ainda coberto de areia, o cabelo grudado na testa, os olhos vermelhos de poeira - o Capitão é uma visão desconcertante para os habitantes daquele lugar.
De repente, ouvem-se gritos. Na lateral de um beco estreito, um velho está caído, tentando proteger uma pequena bolsa com suas mãos trêmulas. Sobre ele, um sujeito de porte atlético, com o rosto coberto por um lenço e braços tatuados com símbolos de gangues locais, brande uma barra de ferro.
Dumont não hesita. Salta da rua para o beco com o vigor de quem há muito tempo não vê justiça. O bandido ataca primeiro, descendo a barra de ferro com força. Dumont bloqueia usando a manopla de ferro em seu casaco, e o impacto reverbera com faíscas e um zumbido elétrico. Um segundo depois, o punho do Capitão atinge o estômago do criminoso com um som seco. O homem cambaleia, arfando.
Mais dois golpes, rápidos e precisos — um no queixo, outro no ombro. O assaltante cai, inconsciente, entre canos enferrujados.
O silêncio retorna ao beco, cortado apenas pela respiração acelerada do velho.
— Você está bem? — pergunta Dumont, estendendo a mão enluvada.
— Você me salvou! — diz o idoso, agarrando com força a mão de Dumont. — Eu lhe devo a minha vida, ele completa.
— Estou só cumprindo meu dever, cidadão.
— O senhor parece cansado. Permita-me agradecer-lhe apropriadamente oferecendo o conforto de meu lar. Minha casa não é longe daqui.
Desgastado pela travessia do deserto, Dumont pensa que talvez seja melhor aceitar a generosa oferta do excêntrico idoso. Eles andam algumas quadras e chegam ao portão de uma mansão enorme, que toma mais da metade da rua. Dumont olha para o velho, que sorri, embaraçado.
— Sim, eu sou rico. Permita-me apresentar-me: meu nome é Iago Palmares, Marquês de Tessália.
Os homens apertam as mãos.
— Capitão Dumont, da Guarda Central, ao seu dispor.
O Marquês abre o portão e sinaliza para que Dumont entre. Já dentro da casa, ele chama seu mordomo e o instrui a preparar um banho quente para Dumont e entregar-lhe roupas limpas.
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De banho tomado, e recuperado da fadiga, Dumont e Palmares se sentam à mesa e começam a devorar o banquete que os serviçais acabaram de preparar. O Marquês chama todos os seus criados e diz:
— Este homem hoje salvou a minha vida. Ele se chama Capitão Dumont e aqui nesta casa ele deve ser tratado como se fosse de minha família.
A criadagem concorda com a cabeça e deixa os dois homens à vontade para aproveitarem o banquete.