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Capítulo I - A Ruína

01 A Ruína
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Certo de será capaz de fazer o estranho aeroplano "pegar no tranco", Dumont dá a ordem para que os soldados empurrem a máquina ladeira abaixo. Um estrondo avisa que a façanha deu bons frutos - o motor pega e, antes de chegar ao precipício, a aeronave alça vôo.

 

Exímio balonista, Dumont passou dias estudando o estranho painel do aparelho e conseguiu mapear as funções principais. Agora, em pleno vôo, o capitão terá seu conhecimento aeronáutico posto à prova. 

 

Nos primeiros minutos, tudo vai bem. A pressão está correta; a velocidade vertical está adequada; há combustível no tanque;  os manetes respondem bem ao comando e o aeroplano se mostra muito ágil em manobras evasivas e mergulhos.

 

Dumont faz um curva de varredura e aponta o nariz do caça para o local de onde saiu: uma pista  improvisada numa planície no meio do deserto, onde sua esquadra o aguarda de volta.

 

Porém, ao acionar os flaps e preparar para a descida, Dumont sem querer apóia a mão em um botão azul no painel - um dos poucos cuja função não conseguiu decifrar. Então, a velocidade, em vez de diminuir, aumenta violentamente. Dumont sente como se a gravidade quintuplicasse por um instante e imediatamente voltasse ao normal. 

 

Ao olhar em volta, Dumont estranha a vegetação do lugar, agora resumida a um enorme gramado, entrecortado por várias linhas de trem. "Não havia nada disso aqui agora pouco", pensa Dumont. Ele checa os instrumentos para ver se a rota está correta e tudo parece em ordem.

 

Do nada, um apito avisa que há um trem a caminho. Dumont faz uma curva e se prepara para emparelhar com o comboio, que se mostra muito rápido e logo chega em sua posição.

 

Ao ver de perto, pela primeira fez, um enorme trem movido a diesel, Dumont faz força para não se surpreender. "Que máquina é essa? Parece ser movida pela mesma tecnologia que o aeroplano. Que lugar é esse?"

 

Uma luz vermelha acende no painel. O motor dá uma falhada e o aeroplano começa a perder altitude. Outra luz acende. E outra. O motor emite um estrondo e pára de funcionar. Dumont se prepara para aterrissar no gramado ao lado da linha de trem. 

 

O capitão controla o aeroplano o quanto pode mas acaba perdendo sustentação e mergulhando de nariz no solo. "Ninguém acerta de primeira", ele pensa.

 

Fora do aparelho, Dumont bate a poeira da roupa e se prepara para tentar volta à civilização. "Essa estrada de ferro tem que chegar em algum lugar", ele pensa.

 

Uma nova jornada começa.

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